sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O bicho ruim...


E como as coisas se fossem fáceis não seríamos lutadores nesta vida a tireoide voltou a fazer das suas. Desta vez com a minha mãe. 

Sendo um problema maioritariamente hereditário e foi devido ao hipotireoidismo dela e sintomas idênticos aos meus que decidi também eu fazer análises e descobrir o meu hipertireoidismo então temos andado as duas de mãos dadas com este problema e sempre em cima dele.

Numa consulta que a minha mãe achou que deveria fazer (sabe-se lá porque!) com alguma urgência e perante os seus nódulos o endocrinologista quis que ela fizesse uma citologia para precaver e tirar algumas teimas. 

Lá marcou, fez o exame, esperou com alguma impaciência e medo pelo resultado e quando saiu foi directa ao hospital. 

Depois de muito lhe dizermos que não tinha nada, que estava bem, eram coisas da cabeça dela, infelizmente o receio que tinha era fundamentado e o pior revelou-se: carcinoma.

Muito choro, muito medo, muitas perguntas, um levantar de cabeça e ir à luta pois que nada se resolve de braços cruzados. Podemos chorar e muito mas devemos ir à luta.

Falar com quem passou pelo mesmo, mais exames, análises às metanefrinas, hormona paratiróide e calcitronina (que estavam bem) e consultas para ser operada com urgência em Setembro, com a esperança que por ser algo pequeno e no inicio, não se tenha alastrado para mais lado nenhum.

Não tem sido fácil e apesar de ser um nome que ninguém gosta de pronunciar acho que ela tem tido uma atitude que eu também teria: falar sobre isso a toda a gente. Faz o exorcismo da coisa, deita cá para fora, ouve experiências, faz a sua catarse... Chora, ri, vai abaixo, volta cá acima. Acho que é fundamental uma atitude assim para fazer face ao problema...

E vai correr tudo bem :)

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Eu fui à consulta do meu antes de saber disto da minha mãe e perante o meu estado que não ata nem desata (borderline) fui finalmente medicada com 10mg de tiamazol/dia e noto bastantes melhorias. Claro que tenho dias piores mas os melhores são em maior numero. Conto lá voltar no inicio de Setembro com novas análises, expor o que se passa com a minha mãe e explicar que o próprio endocrinologista dela disse que seria urgente tanto eu como a minha irmã fazermos exames mais profundos para descartar um problema hereditário mais grave de futuro.

Com isto tudo podem imaginar os nossos dias... E a fartura de médicos que temos tido...

Mas pronto queremos ultrapassar mais esta etapa e depois volto à carga com exames. 

Cirurgia Adenoides e Amigdalas


Os dias passam tão depressa e tão cheios que mais uma vez este cantinho fica para último.

Depois da consulta do otorrino em que nos disse que a Eva teria de ser operada foi um corre-corre para fazer exames e análises. Fez raio-x aos seios paranasais (portou-se lindamente) e análises (um filme!!!!) para mostrar depois na consulta de anestesia. Marcámos logo com o anestesista que o otorrino nos recomendou e fomos aos 2 no mesmo dia mostrar os exames e marcar cirurgia.

Ficou para dia 18/08 e até lá cuidado redobrado. Assim que houvesse sinal de febre dar ben-ur-on e brufen mas se ela se mantivesse como estava no dia da consulta que estava apta para operarem. Tentámos que ela engordasse um bocadinho nos dias que antecederam a cirurgia apesar de o anestesista dizer que ela estava excelente e não deveria estar mais gorda - eu penso sempre que ela é uma trinca-espinhas que não sai dos 12kg. Na minha cabeça se ela tivesse mais uns gramas sempre ia com mais força mas depois de ver lá uma miudita de 9anos com apenas mais 6kg que a minha, desisti de pensar nisso :-P

Uma semana antes do dia D fomos ao otorrino para ele ver como ela estava. Tudo ok... Dois dias antes da operação ela começou com febre. ALARMEEEE!!!! Brufen, ben-u-ron, recolhida em casa... Desde 20 e poucos de Julho que não mete os pés na escola para não apanhar nada. Só saímos em horas em que não esteja muito calor ou muito frio ou vento, pelo que o cuidado tem sido imenso. Na ultima semana piorou muito a sua respiração e não dormia nada. No dia anterior dormiu menos que 5 horas de noite e 1 de sesta pois não conseguia que ar algum entrasse sem se engasgar ou acordar com o ronco. Os últimos 3 dentes resolveram aparecer para ajudar à festa e ainda vimos o caso mal parado... Há meses que não temos uma noite decente.

Mas no dia 18 pouco antes das 8h da manhã estávamos à porta da clínica sem febre, 6h de jejum de sólidos e 4 de líquidos. Entrámos, vesti-lhe o pijama, brinquedos e aguardar pela vinda da enfermeira para a levar juntamente com o pai. Ela foi a primeira por ser mais pequena. Foi um filme para a anestesiarem com a máscara mas às 9h estava a dormir para dar inicio à remoção das amigdalas e adenoides. Cerca de 1h depois o pai foi novamente chamado para ir buscá-la ao recobro e penso que aí foi muito dificil. Ele diz que foi um pouco mas creio que foi mais duro do que aquilo que ele quer admitir. Eles vêm muito agitados e pelo que o pai conta, ela debateu-se muito, pontapeou a cama, quis tirar o soro (uns minutos depois já no quarto acabou mesmo por o arrancar), chorava muito,

Já no quarto e sem o soro, algumas mucosas com sangue (que cessaram ao longo do dia) e mais calma adormeceu. Dormiu cerca de 3h. Acordou meia rabugenta, andou no nosso colo mas queria a cama para descansar. Adormeceu novamente durante umas 4 ou 5h. Acordou e aí sim vi que o efeito da anestesia tinha passado pois olhou à volta muito curiosa. Não queria água ou gelados e podemos afirmar que deve ter sido das poucas crianças que não aproveitou uma operação à garganta para comer todos os gelados que queria e podia. Bebeu sumos, iogurtes e comeu gelatinas. 

Como fez febre devido à quantidade de expectoração que lhe foi retirada, o otorrino deu-lhe antibiótico que está a tomar até agora. Adormeceu novamente às 23h30 e à 1h e pouco da manhã andou numa roda viva até às 5... Ela feliz aos saltos e eu a morrer de sono. Lá adormecemos e às 8h veio a enfermeira para medir a febre uma vez mais, veio finalmente o pai e depois o otorrino que nos deu alta.

Já estamos no 4.º dia e as coisas têm corrido bem. Não houve mais febre, a comida não varia muito pois ela recusa-se a comer sopa ou caldos frios pelo que mantemos as gelatinas, iogurtes, leite e papas e não perdeu peso. Amanhã começamos com os sólidos frios. Tem dormido imenso e bem. Nota-se que havia um cansaço extremo tanto da nossa parte como da dela - já não me lembrava de sonhar há semanas!

Segunda voltamos ao otorrino para ver como está e dia 31 ela retoma a vidinha dela na creche até Outubro onde passará para a pré.

Mais uma etapa concluída e melhores dias de sono e sem apneia se avizinham!